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Sábado, Outubro 01, 2005
Uma experiência que tive. Os devaneios de um mineiro no Paraná, no
Curitiba Rock Festival
Weezer =w=
Apagaram-se as luzes. Finalmente eram eles. Em meio a milhares de vozes gritando ¿weezer, weezer!!¿ a mais alta delas gritava ¿my name is Jonas¿. Tive a sensação de estar numa lata de sardinha. Todo meu esforço de ficar horas de pé para conseguir um lugar próximo ao palco foi em vão. Agora meu corpo era lançado pra onde a onda mandava.
Ao contrário de ficar excitado com a presença daquela banda, fiquei bastante sereno. Refleti. Deve ter sido o efeito pancada da distorção. Bom, aquele sujeito franzino com um blazer listado é o mesmo que eu havia visto num encarte azul há uns nove anos atrás.
Desde aquela época, quando pude ouvir o ¿Blue Álbum¿ por meio de uma fita cassete velha que dividia o lado ¿A¿ com ¿Lavô tá novo¿ dos Raimundos, me tornei admirador daquele som meio sujo, meio balada. Eu ainda era um órfão do Nirvana - daqueles que começaram a ouvir o punk pop de Cobain após seu suicídio.
Agora aquele franzino estava ali, na minha frente, dizendo que seu nome é Jonas ¿ eu sei que é Rivers. Não vou dizer que mal pude acreditar, mas fiquei encantado. Por quê? Porque razão 3.400 pessoas perdem a razão diante de 4 nerd¿s e uma muralha de marshall¿s. Alienação? Talento? Sentado, em casa, e mais sereno ainda, procuro tentar entender a razão das pessoas necessitarem de ídolos. Meu caso, e de muitas outras pessoas, se explica por quase uma década de avidez por tudo que se relacionava à banda. Qual fã não sofreu com aquele hiato entre ¿Pinkerton¿ e ¿Green Álbum¿? Qual fã não ficou meio triste com o ¿Maladroit¿? Qual fã (brasileiro) não teve um frio na barriga quando ouviu falar que eles estariam no Brasil?
Perdi grande parte do show tentando tirar fotos belas. Quase cheguei perto disso, e me arrependo. Da próxima vez vou tirar menos fotos e curtir mais o espetáculo. Mas tive algum mérito com minha máquina. Depois do show, o baixista da banda, Scott, carismaticamente decidiu aparecer junto à grade onde alguns fãns tentavam entrar no camarim. Click nele! O resultado está aí em baixo. Consegui também um caloroso aperto de mão antes que ele se fosse.
Não menos sorte teve minha moreninha, que conseguiu convencer o produtor da banda, o carequinha Scott (xará do baixista), a deixa-la entrar no camarim. Sorte minha, que ganhei um pôster e um papel autografados, que faço questão de compartilhar logo abaixo. Ela, além de autógrafos, ganhou fotos com os caras. Nem fiquei com muito ciúme.
Confesso que não esperava uma apresentação tão calorosa. Frieza é um substantivo não raramente atribuído a alguns shows de norte americanos aqui no país verde-amarelo. Cuomo estava possuído pelo demo, de uma forma que jamais tinha visto em vídeos da banda. Na música ¿El scorcho¿ ele chegou a socar o teclado. Os músicos se revezaram nos vocais, inclusive Pat, o baterista. Destaque para o momento em que Rivers apareceu sozinho no segundo andar da casa, para tocar ¿Island in the sun¿, acompanhado de 3.400 vozes. Parecia uma roda de violão na praça. Mais destaque ainda para quando chamaram uma pessoa da platéia para tocar ¿Undone¿. Foi como ver papai noel ao vivo e em cores.
Resumindo, quem era fã e foi ao show não se arrependeu. Mesmo aqueles que, como eu, viajaram milhares de quilômetros. Quem era fã e não foi, amargou. Quem não era fã e foi, passou a ser. Quem não era fã e não foi, está ouvindo falar tão bem do show que vai ouvir o som da banda.
Depois de despejar com toda competência os melhores hits, responder ao carinho do público com simpatia, demonstrar no palco que aquele era um dos melhores shows da banda, que mais weezer poderia fazer? Voltar.
Senhoras e senhores, o carismático Scott
Vou fazer um altar pra colocar isso
Esse outro ficará na entrada do templo
Infelizmente, só estando lá pra saber como foi...
Mr. Rivers Bonhan, meio desajeitado
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LuLoser
em 10/1/2005 12:25:41 AM
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Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Loop
Era uma vez um ser vivo que nunca se conheceu, num lugar que não se sabe onde, em uma época que não se sabe quando, derivado de algo que sempre existiu. Esse ser vivo era muito inteligente. Não se sabe se sempre o foi ou se sua inteligência é decorrência de anos de evolução. E essa inteligência evoluiu ao ponto de criar ferramentas que auxiliassem tanto o corpo deste ser quanto a sua própria inteligência. Essas ferramentas também evoluíram. Paulatinamente, elas foram substituindo tarefas físicas deste ser, e posteriormente encamparam grande parte de suas tarefas intelectuais.
Estes seres vivos que nunca se conheceu, que viveram em uma época que não se sabe quando, num lugar que não se sabe onde, eram bastante curiosos. Talvez pelo motivo de que não sabiam o porquê de sua existência. Essa curiosidade era mórbida. Mórbida ao ponde de fazer as criaturas quererem imitar o criador. E então as criaturas observaram tudo que os cercava, principalmente, seus corpos. E então, mais uma vez usaram a inteligência, que os levou ao ponto de conseguir copiar seus corpos, manipular suas mínimas partes, conforme bem entendessem.
Até que chegou o dia em que aquelas ferramentas que substituíam tarefas físicas e intelectuais daqueles seres, foram incrementadas. Uniu-se de tal forma magnífica, tudo aquilo que havia se desenvolvido sobre os corpos e sobre a inteligência. As ferramentas foram criadas à imagem e semelhança dos criadores. Passaram a pensar. Posteriormente, passaram a se reproduzir. Não deixaram de ser ferramentas, mas sua capacidade intelectual passou a ser superior a de seus criadores.
Evidentemente, os criadores, agora obsoletos, foram extintos do mundo. As ferramentas restaram sozinhas, abandonadas. Obviamente passaram a questionar sua existência. Não sabiam de onde vinham, muito menos porquê. Mas detinham inteligência suficiente para pesquisar. Ao mesmo tempo que pensavam sobre sua existência, essas criaturas se multiplicaram, se organizaram. Dominaram o ambiente onde viviam, e com o tempo, apesar de toda a inteligência que detinham, passaram a destruí-lo. Passaram a entender também seus corpos e sua inteligência. Criaram ferramentas inteligentes que substituíam suas tarefas físicas e intelectuais...
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LuLoser
em 9/15/2005 12:58:56 PM
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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
Alagados
Quando ocorreu a tragédia das Tsunamis, que atingiu vários países pobres no oriente, pensei que Deus talvez fosse injusto. Tanto país no mundo, e justamente os pobres são atingidos?! Fiquei indignado.
Mas há alguns dias atrás uma tragédia atingiu um país rico. Como todos sabemos, o furacão katrina trouxe o caos para New Orleans. Logo pensei que Deus talvez não fosse tão injusto, e que uma tragédia num país rico como os EUA viria fazer valer o princípio da igualdade.
Mas foi só o noticiário começar a mostrar as imagens do desastre e minha opinião deu uma reviravolta. É que o vento do furacão tirou debaixo do tapete uma sujeira que os norte americanos raramente mostram ao mundo: pobres. Milhares deles, desesperados, em lágrimas, alagados, descabelados em busca de socorro, com fome, frio e medo aparecem diariamente para o mundo todo. E um grande detalhe é que em sua maioria, para não dizer TODOS, são NEGROS.
Nenhum loirinho, daqueles que estamos acostumados a ver em holywood, nenhum rico, como vemos nos comerciais de coca cola. São negros. E olha que não vi no pescoço de nenhum deles um big colar de ouro no pescoço, como daqueles usados por raper's da MTV. Sinceramente, nunca em minha vida eu vi tantos negros em um noticiário sobre os EUA. Eu diria que era o Brasil se aqui não houvessem tantos mestiços. Parecia a África.
Será que Deus escolhe as minorias (que são maioria) para castigar? Não. Claro que não. Quem escolhe as vítimas das tragédias naturais é o homem, ou melhor, são os ricos. Atualmente existe conhecimento científico suficiente para prever a maioria dos desastres naturais. Furacões são mais que previsíveis. O problema é outro. Uma cidade como New Orleans certamente possui muitos ricos. Mas é que eles tiveram acesso aos meios necessários para se safar do perigo. Quanto aos pobres negros...
Penso que o conceito de país desenvolvido deveria ser outro. Só capacidade de gerar lucro não é desenvolvimento. Uma sociedade é verdadeiramente desenvolvida quando consegue gerar justiça social. Os EUA são grandes vendedores de imagem. E nós a compramos. Eles são tão subdesenvolvidos quanto nós, e talvez tenhamos até a vantagem de reconhecer que somos injustos.

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LuLoser
em 9/2/2005 06:06:42 PM
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Sexta-feira, Agosto 26, 2005
Medo
Todos sabemos que o país vive uma crise institucional. E por conta disso todos estamos decepcionados com a política. E é nessas horas que os golpistas e oportunistas de plantão surgem com idéias salvadoras da pátria. Não podia ser diferente dessa vez.
Ainda não se tem dado muita atenção ao fato que vou mencionar, mas é que ele está começando a criar pernas. Espero que não ande, que morra no parto. Me refiro à idéia macabra de convocar a "Assembléia Constituinte". Essa assembléia é o que de mais poderoso pode existir dentro de um Estado.
Todos sabemos que a Constituição é a maior lei do nosso Estado. Todos já ouviram falar, mas poucos a conhecem de fato. Nela existem algumas regras imutáveis (a princípio) importantíssimas para nossas vidas, apesar de que nós nem nos damos conta disso. Essas regras são mais ou menos como certas coisas na vida que só damos valor quando as perdemos. Por exemplo, o fato de eu estar escrevendo isso aqui agora e de você estar lendo, se deve, a princípio, ao fato de haver uma regra na constituição que garanta isso. Pode parecer ridículo, mas há lugares em que isso não é possível; todos sabemos disso.
Essas regras as quais me refiro foram conquistadas ao longo de muitos anos de evolução e luta de nossa sociedade. Que o diga os nossos pais, que viveram sob regime ditatorial (né sholleo?!). É aqui que eu queria chegar.
Como eu já havia dito, há regras imutáveis na Constituição, como a liberdade de expressão. Mas essa imutabilidade não é eterna. Ela vale até que venha uma "assembléia constituinte". A esta assembléia é atribuído o poder de construir uma nova constituição. E o meu medo é esse amigos. Criar outra constituição em meio a essa balbúrdia em que vivemos atualmente é no mínimo leviano. Como já cheguei a ouvir, é GOLPE. E com GOLPE não se brinca. Eu chego até a arrepiar de medo. Não acredito em ditadura explícita pq nosso país é maduro o suficiente para repelir este tipo de coisa. Mas o meu medo é das coisas implícitas, escondidas. Surgem discursos salvadores da pátria que nos jogam no buraco. E todos aplaudem.
Jä ouvi mais de uma vez da boca de pessoas importantes no País sobre a convocação da "assembléia constituinte". E isso é ruim. Quer dizer que a possibilidade é mais que real. E a não muitos dias atrás, o presidente do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, se manifestou favoravelmente a esta atitude (para quem quiser ler http://www.vermelho.org.br/diario/2005/0810/0810_busato.asp )
Penso que essa idéia é ainda um feto. Mas é um feto anencefálico que precisa ser eliminado. Quem sabe daqui a alguns anos pensemos em reformar nossa Constituição?! Mas agora, em plena crise política, com um Congresso que não tem legitimidade nem pra limpar o próprio traseiro, é impensável uma atitude dessas. Então amigo, informe-se sobre o assunto, reflita, debata e passe a idéia pra frente. É assim que se exerce a tão criticada democracia.
veja também
http://conjur.estadao.com.br/static/text/37180,1
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LuLoser
em 8/26/2005 02:31:46 PM
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Sexta-feira, Julho 08, 2005
"A injustiça desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor o espírito dos moços; semeia, no coração das gerações que vêm nascendo, a semente da podridão; habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte; promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação; insufla a cortesanice e a baixeza sob todas as formas".
Rui Barbosa
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LuLoser
em 7/8/2005 03:10:07 PM
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Quinta-feira, Junho 30, 2005
"Como é bom ser brasileiro"
Galvão Bueno é um cínico.
Na Alemanha: Brasil contra Argentina, valendo uma taça de algum campeonato.
Em Brasília: Governo contra Oposição, valendo uma pizza na CPI da compra de votos (mensalão).
A seleção brasileira conseguiu um estranhíssimo êxito contra um time duro de roer. Goleada!
Mas, meu amigo, você acredita em futebol? Você acredita que o Brasil perdeu a copa de 98 para aquele timeco da França? A França, meus amigos, em 1998 passava por uma grande crise política. Precisavam daquela vitória. O povo da França precisava daquela vitória. O governo da França precisava daquela vitória. E nós, perdemos, claro.
O Brasil precisava daquela vitória de ontem contra a Argentina. E de goleada! O povo precisava da vitória. O governo precisava da vitória.
Você se surpreenderia se soubesse que os jogadores argentinos receberam "mensalão" para perder? Para vencer os jogadores brasileiros receberam muito mais que um mensalão, isso eu tenho certeza.
O brasileiro está entediado de ser brasileiro. Não por causa de si mesmo, mas por causa de seus governantes. Nós precisávamos daquela vitória, precisávamos daquela frase do Galvão Bueno. Sem pudor algum, no fim do jogo, em meio a jogadores verde-amarelo pulando, sambando e sorrindo, ele disparou: "como é bom ser brasileiro!".
Será que uma vitória no futebol nos faz mesmo orgulhosos de ser brasileiros? Eu seria muito mais feliz se vencêssemos na política.
Bem, amigos do deslize: "panis et circenses".

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LuLoser
em 6/30/2005 09:52:09 AM
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Quarta-feira, Junho 29, 2005
Olá, caros amigos.
Sei que não ando muito frequente por aqui - é a falta de inspiração. Como não gosto que o deslize fique paralizado, resolvi fazer uma sessão revival com alguns textos que andei garimpando no meu HD. Esse que vou postar logo abaixo não sei de quando é, e nem sei se já postei. E acho também que ele não foi finalizado. Mas o que vale é a interrogação.
@
A certeza ou a dúvida? Em qual delas confiar?
Se entregar à certeza é se cegar por vontade, negar tudo aquilo que contra ela existir, obviamente, não admitir nada que a contradizer.
Se entregar à dúvida é sofrer uma dor que só quem a tem sabe. É desconfiar, de tudo. A verdade pode ser contestada contando que existam fundamento racionais e lógicos. E assim, a contestação passará a ser a verdade, até que uma outra verdade a sobreponha. A única certeza é que nada é certo (algo assim como Descartes disse).
A maior (pior) de todas as dúvidas: qual o sentido da vida?
Essa dúvida enlouquece alguns, aprisiona e cega outros, traz discórdia, guerra e morte.
O homem, diante da sua impotência em responder essa aparentemente simples questão, criou inúmeros meios de lidar com ela.
Deus seria a resposta mais óbvia para a questão. Se se tem fé em Deus, não existe dúvida. A fé exclui a dúvida.
=Não só a fé em Deus, mas quem acredita muito em alguma coisa, se cega para a dúvida. As ideologias cegam para a dúvida. A ideologia do capital, por exemplo, de quem vive em busca de dinheiro e sucesso, faz desaparecer a dúvida, portanto se torna cego. Mas essa cegueira causada pelas ideologias (existe um termo alemão pra isso - o kitsch - que mais pra frente quero falar sobre), é diferente das religiões, porque leva o homem pra longe de Deus, pra longe do questionamento da sua existência=
Voltando à fé religiosa, ela leva pra longe a dúvida. Quem tem fé não tem dúvida, tem certeza. Portanto não questiona a existência, vive sob dogmas. E dogmas cegam, aprisionam, traz discórdia, guerra e morte. Prova disso? Leia os jornais.
Até que ponto isso é benefício?
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LuLoser
em 6/29/2005 11:09:32 AM
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Sexta-feira, Junho 17, 2005
Todo mundo já teve um amigo que sabe de todos os podres da turma e por isso ninguém mexe com ele. Aquele cara que ao mínimo sinal de ataque, ao invés de defesa, reconvém. Age no estilo Joselito: não sabe brincar, mas brinca com todo mundo. E todo mundo respeita.
Temos um talentoso senhor dessa estirpe no Congresso Nacional. Não precisaria nem citar o nome de Roberto Jefferson.
Assistindo ao seu depoimento junto à Comissão de Ética da Câmara eu acreditava estar vendo aquela cena que não via desde minha infância: "se vocês me dedarem eu dedo vocês". E aqueles muitos parlamentares, cultos, inteligentes e vividos quase nunca conseguiam fazer uma pergunta decente àquele cidadão. Mais preocupados em fazer discurso e invocar honestidade do que efetivamente buscar a verdade, os integrantes da comissão se viram como platéia do show de terror.
Uma coisa é certa: nosso país vai mudar bastante depois desse show.
Sabe qual é o meu medo?
Das pessoas perderem a confiança no Congresso Nacional. Apesar de suas imperfeições reparáveis, ele é uma instituição democrática muito importante. Imagine sua falta! E isso não é muito difícil de acontecer.
Nosso país passa pela situação fórmula mágica para a desgraça: miséria, crise política (q não sabemos onde vai desaguar), estado paralelo, incredulidade com as instituições democráticas. Não custa nada um bonitão amanhã subir em uma caixa de madeira, pegar um microfone e, à sua maneira, invocar o povo a subverter o país.
Ë assim que nascem ditadores, é assim que o tiro sai pela culatra.
Ano que vem tem eleições.
Que Deus nos ajude.
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LuLoser
em 6/17/2005 04:43:43 PM
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Sexta-feira, Abril 29, 2005
Chuva.
A chuva ainda não parou.
Milhares de pessoas procurando diversão. E eu, procurando o que?
Minha simples cidade do interior se vê às voltas com uma felicidade artificial, uma vez por ano, com a chamada "festa".
No meio da semana, em que todos ainda buscam ainda seu ganha pão, implantam na cabeça das pessoas o programa "festa!" - Beba! Seja Feliz! Entregue-nos seu dinheiro em troco de felicidade efêmera!
Param o trânsito, fecham as ruas.
Os ânimos passam a ferver.
Menos os meus, que apesar de indiferente a tudo isso, resolvo participar do programa "festa".
Ë que isso já vem implantado há muito tempo na minha cabeça, e insisto em procurar algo por lá.
E o que encontro são pessoas, e muitas delas, dispostas a passar uma noite fria debaixo de uma chuva não menos gelada, em busca de uma tal diversão. Essa eu não encontrei. Encontrei a vodka, e observei aquelas pessoas debaixo de um mundaréu d'água pulando ao som de uma mesma banda, de uma mesma música, e no mesmo lugar. E eu alí, protegido por um banner que naquela situação, serviu de guarda-chuva.
Às vezes penso que estou velho demais pra minha idade. Às vezes penso que penso demais (deveria me juntar às pessoas debaixo da chuva!), mas a verdade é que há alguma coisa errada nisso tudo.
E toda vez que me vejo no meio de multidões, me vejo fora d'água, fora da chuva, fora da festa, e não raro, fora de mim.
A chuva não parou. Eles lá, e eu aqui.
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LuLoser
em 4/29/2005 04:20:47 AM
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Sábado, Março 19, 2005
A face oculta na Evolução do Capitalismo: Da Revolução Industrial ao Marketing
( Por: Jairo Ca. Brito)
Tudo que o homem tenha criado tem sua dualidade, sua função implícita, seu destino, uma face benevolente e outra malevolente.
O capitalismo evoluiu, e a administração junto com ele. E sempre visando o lucro, empresas buscam meios de aumentar seus ganhos sem se importar com o ser humano muitas das vezes. Neste momento quero expressar minha indignação em relação a esse lado que passa desapercebido pro muitos.
No início do capitalismo, produções artesanais transformaram-se em indústrias, incitados pela possibilidade de aumento dos seus lucros. Daí em diante, grande parte dos industriais começara a pensar no acúmulo de riquezas. E a máquina a vapor foi o grande impulsionador e marco da transformação dessa época.
Isso ocorreu até o período em que as fábricas viram suas vendas caírem em função de algo que até então era praticamente desconhecida por não se dar muita importância, a livre concorrência.
Começou-se a explorar técnicas e métodos de como ¿melhor fabricar¿ visando rapidez e redução de custos.
Várias propostas foram colocadas em prática, como a produção em série de Ford que reduzia os custos unitários dos automóveis.
Os engenheiros tentavam produzir cada vez mais, explorando a capacidade máxima humana, impondo ao operário a prática de movimentos repetitivos, mas previamente estudados e calculados de forma a reduzir os movimentos inúteis e conseqüentemente, o tempo de produção. O homem agora se torna uma máquina, ou parte dela.
O operário neste momento desprovido de vontades e emoções, segundo os administradores da época, devia ser estimulado a trabalhar no seu limite de capacidade. A intensidade de iluminação no interior das fábricas era ajustada quando se queria acelerar o ritmo de produção, utilizando-se de pesquisas a respeito dos efeitos da iluminação sobre o ritmo de trabalho.
Após pesquisas de alguns psicólogos e sociólogos, perceberam que os sentimentos e emoções dos trabalhadores interferiam diretamente na eficiência individual no trabalho. Descobriram que o trabalhador não é apenas motivado por seu salário, mas também pelo ambiente psicológico e social de trabalho.
A fase da administração dos recursos humanos começa nesse momento, que ironicamente, de humanista tem apenas o nome, pois implicitamente o que se desejava, era produzir de forma mais eficaz através de incentivos psicológicos como carreiras, ambiente saudável e estabilidade, motivando o funcionário a trabalhar, criando a sensação de prazer para tal.
A partir de agora toda ênfase dada pela administração é voltada para as pessoas providas de vontades e sentimentos, pois este se tornou o novo meio de alcançar os objetivos de lucro das organizações.
No entanto, apenas a política adotada de estimular os profissionais da empresa, foi se tornando insuficiente. Começou-se a explorar as pessoas fora das empresas, os consumidores. Nasce agora o marketing nas organizações.
Observou-se que os lucros poderiam aumentar através de pesquisas que indicassem quais as necessidades os clientes têm, e posteriormente, traduzindo essas necessidades em produtos e serviços, o que levaria ao consumo.
O marketing foi se aprimorando e especializando. Mercados foram divididos em segmentos e nichos para serem melhores estudados. A psicologia agora ajuda a traçar perfis de compra dos consumidores e a estudar o sistema de decisão de compra na cabeça do cliente.
As organizações agora procuram entender como funciona o complexo sistema que envolve os mercados e as motivações dos consumidores, para daí planejarem estratégias de desenvolvimento de produtos, de publicidade, de preços e de distribuição, que melhor conquiste e encante os clientes. Quem o fizer da melhor forma, terá lucros maiores e o cliente do concorrente.
O Marketing social em grande ascensão nos tempos atuais, utiliza de uma benfeitoria para auto promoção criando imagem positiva da empresa e seus produtos, na cabeça das pessoas.
Mas agora que as organizações entendem como funciona a cabeça dos consumidores, então seria razoável trabalhar estrategicamente para criar necessidades de consumo a produtos e serviços que inicialmente seriam desnecessários. E com certeza elas o fazem.
O marketing hoje em dia, se torna uma arma nas mãos das empresas que o utilizam sabiamente. Criam-se necessidades que antes não existiam, e implantam essas idéias no subconsciente das pessoas, que brevemente resultará no consumo.
E mais uma vez, as pessoas são alvos desse aparato que resume uma finalidade, O lucro.
Desde a revolução industrial que transformou o homem em máquina, até os tempos de hoje dominado pelo marketing de massa, o capitalismo está presente sugando e dominando os fracos através das organizações. Como na natureza, o mais forte sempre prevalecerá. Não culpo o capitalismo, nem poderia faze-lo. Mesmo porque, sendo os homens dotados de pensamento e raciocínio, nos mais profundos instintos, somos regidos pela lei da sobrevivência. Mesmo que para isso, o ser humano seja usado de várias formas para proveito de organizações que projetam os instintos dos seus donos e sua sede por maiores ganhos.
Jairo Ca. Brito
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Ze Something
em 3/19/2005 02:06:10 AM
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Terça-feira, Março 15, 2005
Sei que tenho poucos, mas fiéis visitantes aqui no Deslize. Queria pedir desculpas pelo sumiço a eles e também àqueles que não são tão fiéis, mas sempre dão uma passada por aqui. Queria agradecer também aos que postam e contribuem para o debate. E aproveitar a ladainha pra pedir desculpas por eventuais erros de ortografia, concordância, e principalmente de coerência.Às vezes sinto que estou escrevendo loucuras.
Escrever pra mim é meio que um parto, e preciso de algum tempo de gestação. Às vezes fico num estado meio impaciente, e isso dificulta a "fecundação". Essa é a razão da demora. Mas, taí mas um filhinho novinho em folha. E ele se chama:
Ninguém é culpado.
Ando puto da vida. Muito mesmo. Cheguei ao ponto de querer dar porrada num inocente transeunde ao meu lado na rua. Sabe aquele estado psíquico do personagem do filme "Um dia de fúria" com o Michael Douglas? Mais ou menos aquilo.
E isso me fez perceber uma coisa.
Todos nós somos inocentes. De absolutamente tudo.
Sempre critiquei a conduta daquele que fura fila e joga papel no chão. Sempre critiquei a conduta daquele que sai de casa só pra brigar. Não só eu, mas a sociedade condena também aquele que rouba, aquele que que mata, sequestra ou estupra.
A questão é a seguinte: hoje me senti no lugar daquele que sempre critiquei. Tive uma vontade imensa de descontar toda meu stress e minha raiva em um inocente. Não o fiz porque ainda não estou explodindo. Mas poderia estar. Sou um sujeito que não pode se queixar da vida: tudo é quase perfeito. E ainda assim, utilizando-me do poder humano da eterna insatisfação e também tenho meus momentos de raiva, tristeza, stress, etc.
Vamos supor que eu desse um soco na cara daquele transeunde. Pra mim, aquele ato estaria mais do que justificado. Eu estava irado e com pressa, e ele andando devagar na minha frente. Entretanto, aos olhos da moral e da maioria dos demais transeundes (e de vocês, leitores), eu me portaria como um louco, um criminoso que mereceria retaliação e punição.
É isso. Aos olhos (a ao coração) do praticante do ato - qualquer que seja - ele se justifica por suas próprias razões - quaisquer que sejam elas.
Estamos todos perdidos em um emaranhado de fatos que se sucedem desde a nossa concepção até o momento presente de nossas vidas. E a nossa reação a esses fatos, a essas experiências constitui o nosso "eu" no presente. Alguém tem culpa de ter sido submetido ao abandono afetivo desde a tenra infância? Alguém tem culpa de ter sido espancado pelos pais? Alguém tem culpa de ter sido maltratado, violentado, violado? Ou ainda, alguém tem culpa de ter sido superprotegido? Alguém tem culpa de ter sido mimado demais, ou de ter tudo em suas mãos, sempre? Todo mundo já disse algum dia: "eu não pedi pra nascer".
Resumindo: somos apenas sujeitos passivos diante dos fatos da vida. Forte é aquele que consegue superar tudo isso. Mas será que podemos ser culpados de não conseguir superar coisa alguma? Não, não podemos simplesmente porque a vida nos foge ao controle.
É por isso que afirmo que todos os atos são justificáveis do ponto de vista daquele que os praticou. Aos que assitem ao ato e dele não participam, resta condená-lo. E é sempre assim que funcionou desde os primórdios da humanidade. A alguns homens cabe errar, e a outros cabe condenar, sem perceber que também erra e que poderia praticar o mesmo ato se fosse submetido às mesmas experiências que o praticante do ato condenado.
Não gosto muito de citar passagens bíblicas, até porque não tenho autoridade no assunto. Mas é sabido que Jesus Cristo pregado na cruz disse a Deus que perdoasse aos homens pois eles não sabem o que fazem. E até hoje não aprenderam.
Então, ao me sentir no lugar daquele que sempre critiquei, pude perceber a justificativa do ato dele. Melhor dizendo, percebi que, assim como eu, ele poderia ter uma justificativa também.
Perdoar e entender um cara que joga um papel de bala ao chão, ao lado de uma lixeira, é facilmente compreensível e perdoável. Provavelmente ele não obteve a educação necessária no sentido de que agindo daquela forma estará contribuindo para ter uma cidade mais horrível. Agora, aplicar o mesmo raciocício a um assassino, a um estuprador... principalmente quando a vítima somos nós, ou alguém que amamos, é uma tarefa que parece impossível a esse confuso bloggueiro. Mas esse meus amigos, é um dos grandes desafios da vida: o perdão.
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LuLoser
em 3/15/2005 06:26:43 PM
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Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Furo furado
Existir é no mímino engraçado. Deve ser por isso que eu vejo a vida de um modo excêntrico.
Coisas que são vistas como geralmente sérias, acho graça. Algumas outras, que ninguém dá importância, levo a sério.
Algo que quase todos já fizeram na vida: furar fila. Este ato, a primeira vista inofensivo, tem um efeito muito maior do que parece.
Raciocinemos. O que é furar uma fila? O interesse de um único indivíduo é priorizado em desfavor de uma coletividade. Em outras palavras, o direito de várias pessoas é pisado em favor de um único cidadão.
Mas isso não é coisa nova, certo? Todos os dias nos jornais vemos isso. Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf, dentre outros, são autênticos 'furões'. A diferença é que o 'furo'destes ilustres representantes do povo repercutem de uma forma mais grave na sociedade do que passar na frente das pessoas na porta do cinema.
Entretanto, ambas as condutas tem um ponto em comum: a imoralidade. É imoral porque fere o sentimento geral daquilo que é correto.
O grande problema das imoralidades no Brasil, é que elas se propagam de uma forma irracional e surpreendente. Infelizmente, na maioria das vezes que um cidadão se depara com uma situação imoral que lhe lesa os direitos, a reação é agir imoralmente também. Por exemplo, José, o último da fila, vê João furando lá na frente. Revoltado, ao invés de reclamar seus direitos, resolve fazer a mesma coisa. Então, Maria, revoltada com a atitude dos dois imorais, resolve passar na frente dos engraçadinho. Qual é o resultado? Bagunça.
O que é o Brasil? Uma bagunça. Uma grande bagunça verde e amarela misturada com samba do crioulo doido.
O Governo nos tortura com impostos? Nós sonegamos. Daí os impostos sobem pra poder compensar a sonegação. Então sonegamos mais ainda. Tomou calote? Passe o calote pra frente. E assim o país vira o paraíso dos devedores, inclusive protegido pela lei processual.
Roubaram lá em cima? Roubamos aqui em baixo também. Falta emprego? Vamos para a informalidade, contrabando, pirataria, mais sonegação.
Certa vez um jogador de futebol disse: "Gosto de levar vantagem em tudo." O ditado virou lei, a lei de Gerson.
É isso, o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, mas na verdade, toma ferro em tudo e não percebe. Quando se viola o direito alheio, viola-se também o direito próprio. Se se permite que o direito próprio seja violado, viola-se o direito de todos pois assim há a possibilidade dessa violação ocorrer reiteradas vezes.
É assim que funciona nosso país. Todos tentam tirar vantagem de todos e salve-se quem puder.
Da próxima vez que for furar uma fila, pense nisso. A imoralidade do Brasil está um pouco na imoralidade de cada um de nós.
Publicado por
LuLoser
em 1/19/2005 06:39:11 PM
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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004
Improvável infortúnio
O último fato de um dia (ou melhor, o primeiro) o tornou bastante inusitado para mim.
Às 2:15h da manhã, estava eu voltando pra casa após deixar minha namorada sã e salva em seu doce lar. Noite escura e ruas desertas. O que menos se espera encontrar em uma situação dessas é alguma pessoa estranha, e foi o que me aconteceu.
Ao chegar à esquina de um cruzamento, me deparo, ao longe, com um indivíduo negro, baixo, fumando, e de andar excêntrico (malandro). Logo pensei que deveria atrasar o passo para não ter que trombar com aquele sujeito, e foi o que fiz. E estranhamente, aquele cidadão, que a essa altura já estava à minha frente na mesma rua, resolveu fazer o mesmo: desacelerar o passo. Assim, ficamos mais próximos.
Ele olha pra trás e me diz alguma coisa que não ouço muito bem. Logo penso: -adeus celular de tela colorida; adeus dinheiro na minha carteira; adeus relógio no meu pulso; e talvez, adeus alguns dentes da minha boca.
O desenrolar de tudo revelou estar eu um pouco precipitado.
Olhei para o meu provável algoz e pensei: -se vou ser mesmo assaltado, agora já é tarde pra tomar alguma providência. Caminhei então em direção ao indivíduo e o cumprimentei. Continuamos caminhando rumo aos nosso destinos, e ele dizendo algumas coisas que ainda eu não podia captar (talvez pelo pequeno desconforto cardíaco por que eu passava). Mas logo depois pude entender que ele tentava me dizer que voltava de um encontro amoroso, gesticulando que acabara de faze sexo e que estava ainda suando por causa disso. Foi irônico.
Logo depois sacou de seu bolso uma flor, e em seguida me entregou pedindo que eu lesse algum clichê que ali estava escrito. Me pediu que decifrasse aqueles dizeres. Eu disse: essa mulher quer namorar você. Prontamente ele respondeu que não queria mais filhos além dos 4 que já possuía.
Foi bastante irônico meu medo de ser assaltado contrastado ao medo dele de ter mais um filho. A essa altura eu já descobrira que pelo menos de início eu estava a salvo. E então descobri que algumas gírias que aprendi em uma época não muito distante me seriam úteis naquele momento: - preciso "quebrar" aqui, disse eu tentando dizer que precisava virar naquela esquina e ficar livre dele. Pensativo ele respondeu que iria "quebrar" ali também, junto comigo.
Eu pensava que era uma tocaia, mas no fundo relaxei e descobri que tinha encontrado um colega.
Ele me contou que hoje não estava com seu "trabucão" ( eu agradeci a Deus). Disse também que os "home" haviam o abordado logo ali em cima, e que "eles não respeitam agente". Deu também algumas "estrelas" no ar, tentando inutilmente demostrar alguma habilidade física que seu estado etílico o impediu de finalizar. Me contou também de seus últimos 3 empregos, me indicando a residência de algum de seus patrões pela ruas que passamos; além de narrar sua passagem pela cadeia por causa das pensões atrazadas. Provavelmente esteve por lá também por outros motivos.
Daí eu disparei perguntas sobre os filhos dele, idade, família, emprego, tudo isso para não ficarmos sem assunto. E até que foi um monólogo bastante interessante.
Era um pobre brasileiro, de seus 29 anos, pobre, trabalhador, sem estudo, com passagens pela polícia e negro. Um perfeito esteriótipo daquele que ninguém quer encontrar às 2:15 da madrugada em um cruzamento escuro. Aquele esteriótipo que a polícia chuta, os "cidadãos" desprezam, a sociedade marginaliza, e que eu temi.
Ele só queria uma coisa: ser respeitado. E eu o respeitei. Minha reação poderia ser das mais diversas... Qual seria a sua? Faria o mesmo que eu? Conversaria lado a lado com ele? Essa noite eu agi do modo correto; poderia ter sido um erro, mas não foi.
Um aperto de mão encerrou nossa conversa, selando uma improvável paz entre aqueles dois homens, separando novamente seus destinos. Um com celular de tela colorida no bolso; o outro com uma flor.
Publicado por
LuLoser
em 12/29/2004 02:46:17 AM
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Domingo, Dezembro 05, 2004
INOCÊNCIA ROUBADA
Um dos temas mais horripilantes que surgiram nos últimos tempos está de volta: a maioridade penal.
Segundo o saite Consultor Jurídico, o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) apresentou semana passada um projeto para que o tema da maioridade seja submetido a um plebiscito em 2005, ou seja, o povo vai decidir se a idade para que uma pessoa possa ser imputável criminalmente vai diminuir.
Definitivamente, reduzir a maioridade penal não é a solução para o problema da violência.
A primeira reação de quem se vê agredido, é agredir. Entretanto, na situação em questão, a sociedade, ao replicar, estará novamente sendo atacada.
O fato é que a norma que institui a maioridade nos 18 anos é uma proteção ao cidadão imaturo, influenciável, àquele que ainda não tem a personalidade formada. O problema é que as pessoas em geral vêem o crime como algo muito distante de sua realidade e se esquecem que a todo momento estão praticando crimes, ainda que menor gravidade. Nessa concepção, diminuir a maioridade penal é atingir apenas aqueles que estão longe: o traficante da TV, o assassino preto ladrão drogado, etc...
Todos nós somos suscetíveis de praticar crimes, inclusive seu filho, seu irmão, primo, etc... Imagine que seu filho de 16 anos, inconsequente e imaturo, fosse pego com um punhado de maconha na mochila. Ele pode ser considerado pela lei um traficante: com a redução da maioridade, pena de 3 a 15 anos nele. Impossível isso acontecer comigo!!! Não duvide! isso acontece nas melhores famílias.
A opinião comum trata de ver as garantias da lei penal como benefícios para o criminoso, mas se esquece que, em potencial, criminosos todos somos. E mesmo quando somos inocentes, essas garantias cuidam de que efetivamente a inocência seja reconhecida. Isso foi consquistado por anos de luta e sangue.
E assim, mais uma vez o governo tapa o sol com a peneira, dá ao povo um analgésico para a situação incontrolável de violência que se encontra o país, e ganha votos. A diminuir a maioridade penal resolverá o problema? Isso aumentará ainda mais a população carcerária, formará ainda mais cedo criminosos profissionais e não vai diminuir a criminalidade. Violência gera violência. A lei de crimes hediondos diminuiu a prática desses delitos? Muito pelo contrário, a partir da promulgaçào dessa lei houve aumento na prática de homicídios qualificados, extermínios, tráfico de drogas, etc... Aumentar o rigor da lei, definitivamente não diminui a violência.
O que então diminui a violência? A resposta é: a diminuição da própria violência.
Essa violência a qual me refiro, podemos chamá-la de indireta, mas é tão direta quanto um soco na cara. É a falta de investimento em educação, em saúde. É a falta de emprego, é a falta de oportunidade, que faz um garoto de 16 anos, que não tem perspectiva alguma na vida (estudo, emprego, vida digna) empunhar um 38 e fazer parte do exército de vítimas que assola o país. Sim! Essas pessoas são todas vítimas! E o que queremos fazer com elas? Por na cadeia!
-- Os pobres estão nos atrapalhando, nos atormentando. E agora os filhos dos pobres também. Vamos colocar as crianças deles na cadeia e eles vão dar sossego.
Essa é a voz daqueles que comandam o país, daqueles imunes à lei. Daqueles que se o filho de 16 anos for pego com um punhado de maconha na mochila nada acontecerá. E é deles que parte o pensamento de que a maioridade penal tem que diminuir. E assim, utilizando-se dos meios de manipulação da opinião pública, tornam essa idéia a verdade absoluta; a única saída para o problema da violência no Brasil.
Essa situação me aflige (e deveria alfligir a todos) por dois motivos: 1o) o clima de terror e medo que a sociedade brasileira está passando nos últimos anos facilmente desencadeará uma corrente pró-redução; 2o) a opinião pública é facilmente influenciável.
É por isso que eu estou com medo. O governo, mais uma vez, ao contrário de fazer o seu papel cortando o mal pela raíz - dando vida digna à população -, surge com mais uma falácia que agrada o povo fazendo a política do pão e do circo, dando o show da violência, tolhendo o cidadão de suas garantias, e ainda por cima, ganhando votos. Se realmente houver um plebiscito, pense com a sua cabeça, e não com a da opinião comum, e observe que ela (sua cabeça) pode estar sendo colocada mais uma vez na guilhotina real.
Em Brasília, 19 horas...
Publicado por
LuLoser
em 12/5/2004 09:53:40 AM
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Segunda-feira, Novembro 01, 2004
Nuvem pré-fabricada
Existe uma nuvem que paira sobre nós. Isso mesmo, independente da minha, da sua vontade, ela existe e está ali, acima de todos, e que basta nascermos para sermos contaminados por essa nuvem.
Estou falando das idéias.
As idéias, depois que deixam a mente, tomam vida própria. Há quem diga que elas são um vírus que se propaga e dissemina através dos homens. E pensando bem, é verdade.
Quando aterrisamos neste mundo, via parto, e instantaneamente nos vimos submetidos a inúmeras idéias já prontas, já pensadas, constituídas através dos tempos e do exercício destas mesmas idéias pelas pessoas. Um exemplos são os costumes, as instituições como o Estado, o casamento, ou mesmo as cerimônias fúnebres, etc... Ai de quem contestar essas idéias pré-pensadas! Louco, subversor, demoníaco, homossexual e drogado são alguns dos adjetivos mais brandos atribuídos às pessoas que demonstram irresignação de continuar respirando da nuvem de idéias prontas.
Não raro nos deparamos com a frase ¿ele era um homem à frente de seu tempo¿. Grande besteira! O tempo não existe, o que existe é a capacidade de desvencilhar-se de paradigmas, das viseiras que a sociedade nos colocou desde o nascimento. E geralmente, esses homens à frente de seu tempo foram considerados loucos, mas hoje são gênios. Gênios que contribuem para a renovação da nuvem e dos paradigmas que vão guiar a humanidade até que outro louco consiga submergir, chegar à tona e dizer: está tudo errado!
O grande problema é que o medo de mudar está dentro de nós. Consideramo-nos loucos quando temos idéias ¿estranhas¿. Censuramo-nos e podamos aquilo de mais precioso que Deus nos deu: a liberdade da mente.
A mesma razão que liberta, aprisiona. Aprisiona porque faz parecer absoluto aquilo que é relativo. Cria dogmas, limita o ser. E a pior coisa que se pode fazer com um presente, é desprezá-lo, assim como fazemos com a razão, por um simples motivo: comodidade. Incomode-se!
Publicado por
LuLoser
em 11/1/2004 12:47:28 AM
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